O Papel das Notícias

Depois do NY Times, o The Guardian lança API

Posted in Notícias by nuno miranda ribeiro on 26 de Março de 2009
The Guardian Open Platform (imagem oficial)

The Guardian Open Platform (imagem oficial)

Primeiro foi o New York Times. Dia 14 de Outubro de 2008, o histórico jornal americano lançava a Times Developer Network. Nesta página ficou disponível documentação, lista de FAQ’s, uma galeria de aplicações já desenvolvidas e um formulário para se pedir uma API key. API (Aplication Programming Interface) é, segundo a Wikipedia, “um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por programas aplicativos — isto é: programas que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços.” Um exemplo de uma aplicação popular que recorre a um API, é o TweetDeck, que nos permite gerir a nossa conta no Twitter, sem ter de ir à página deste, fazendo todas as operações habituais numa aplicação desenvolvida no Adobe® AIR™.

Um jornal que tenha uma API está a disponibilizar aos programadores a possibilidade de desenvolverem aplicações que usam e reorganizam o conteúdo do jornal. Assim, cada programador pode, segundo os termos de uso definidos, filtrar, difundir, estruturar o conteúdo que o jornal disponibiliza desta forma. Para terem uma ideia do que isto é, podem experimentar uma das aplicações já disponíveis a partir da API do NY Times.

Esta parece ser uma estratégia adoptada no intuito de contrariar as quedas nas vendas do jornal impresso e responder ao vazio de alternativas realmente sustentáveis ao actual modelo de negócio. O The Guardian seguiu o exemplo (e está aberto o caminho para que mais publicações experimentem esta solução).

À semelhança do que acontece na “Times Developer Network”, a página da “The guardian Open Plattform” permite aos programadores fazer o pedido de uma API key, gerir as aplicações criadas, acompanhar as actualizações para cada linguagem de programação.

São boas notícias, principalmente para quem desenvolve e está sempre ávido de criar novos usos e reciclagens da informação veiculada na web. Mas não é a solução para o problema de financiamento, nem chega a ser um balão de oxigénio para a crise de caractér global que ameaça o jornalismo. É antes um passo óbvio e previsível, nesta era dos Widgets e do Yahoo Pipes, em que esperamos que o conteúdo assuma a forma que escolhemos, e (como alertou o Afonso) nos distanciamos cada vez mais do livro de estilo e dos editores. Queremos ser nós os editores, queremos que tudo seja personalizável. Se quanto à forma não parece haver falta de alternativas (embora exista a ameaça de extinção da forma impressa), quanto ao conteúdo – e só o uso da palavra conteúdo, para designar peças jornalísticas, tem que se lhe diga –  é que nos devemos preocupar seriamente.

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