O Papel das Notícias

Washington Times – uma página por dia para o jornalismo de cidadão

Posted in Notícias by nuno miranda ribeiro on 15 de Abril de 2009

"Times Newspaper Puzzle

"Times Newspaper Puzzle" (imagem obtida aqui: http://is.gd/syGw)

Segundo a Wikipedia, Jornalismo Cidadão, ou Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Open Source ou ainda Jornalismo Participativo é uma idéia de jornalismo na qual o conteúdo (texto + imagem + som + vídeo) é produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais. Esta prática se caracteriza pela maior liberdade na produção e veiculação de notícias, já que não exige formação específica em jornalismo para os indivíduos que a executam.

O Washington Times (WT) decidiu dedicar uma página por dia, na versão impressa, ao jornalismo produzido por cidadãos. Às segundas, histórias sobre o mundo académico; às terças, o destaque é para os subúrbios de Maryland e Virginia; as quartas são dedicadas ao distrito de Columbia; as quintas focam as bases militares locais; às sextas é a vez das comunidades religiosas e aos domingos as obras de caridade e o serviço público. (a notícia não refere o sábado).

É já na próxima segunda-feira, dia 20, que é publicada a primeira página de jornalismo colaborativo, no contexto desta iniciativa. Citado no artigo acima linkado, Jonh Solomon, editor executivo do WT, afirma: “sabemos que existem muitos assuntos e comunidades que não temos sido capazes de cobrir totalmente dentro dos limites do orçamento de uma redacção, e estamos entusiasmados por capacitar cidadãos dessas comunidades para nos fornecerem notícias que interessarão aos nossos leitores.” Ainda segundo Solomon, “ao mesmo tempo que expandimos o nosso alcance através deste projecto, não estamos a diminuir a nossa qualidade editorial. As histórias dos cidadãos têm de obedecer aos mesmos padrões rigorosos de precisão, razoabilidade, equilíbrio e ética (accuracy, precision, fairness, balance and ethics, no original) que as que são escritas pelo pessoal que trabalha na redacção.” Pode ler-se na notícia do WT que cada cidadão jornalista receberá um conjunto de regras para a escrita jornalística bem como cópias do regulamento oficial do jornal nas questões relacionadas com ética, fontes anónimas e outros padrões jornalísticos.

É interessante verificar que esta opção editorial traz para a versão impressa do jornal o que seria muito mais fácil, simples e menos arriscado de fazer na versão online. Uma página de jornal tem um estatuto especial. Abrir  espaço no site a artigos dos leitores é uma coisa. Dedicar uma página impressa a textos produzidos pelos cidadãos é outra coisa. Um sinal a que não podemos ficar indiferentes. O que chama a atenção não é tanto, ou não é apenas, a decisão de chamar os cidadãos a produzir histórias de qualidade e estilo jornalísticos. Há bastantes experiências, talvez mais informais, menos rigorosas e com visibilidade mais limitada, a decorrer nas versões online. O que realmente é marcante é a opção de trazer para a versão impressa esta experiência.

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Depois do NY Times, o The Guardian lança API

Posted in Notícias by nuno miranda ribeiro on 26 de Março de 2009
The Guardian Open Platform (imagem oficial)

The Guardian Open Platform (imagem oficial)

Primeiro foi o New York Times. Dia 14 de Outubro de 2008, o histórico jornal americano lançava a Times Developer Network. Nesta página ficou disponível documentação, lista de FAQ’s, uma galeria de aplicações já desenvolvidas e um formulário para se pedir uma API key. API (Aplication Programming Interface) é, segundo a Wikipedia, “um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades por programas aplicativos — isto é: programas que não querem envolver-se em detalhes da implementação do software, mas apenas usar seus serviços.” Um exemplo de uma aplicação popular que recorre a um API, é o TweetDeck, que nos permite gerir a nossa conta no Twitter, sem ter de ir à página deste, fazendo todas as operações habituais numa aplicação desenvolvida no Adobe® AIR™.

Um jornal que tenha uma API está a disponibilizar aos programadores a possibilidade de desenvolverem aplicações que usam e reorganizam o conteúdo do jornal. Assim, cada programador pode, segundo os termos de uso definidos, filtrar, difundir, estruturar o conteúdo que o jornal disponibiliza desta forma. Para terem uma ideia do que isto é, podem experimentar uma das aplicações já disponíveis a partir da API do NY Times.

Esta parece ser uma estratégia adoptada no intuito de contrariar as quedas nas vendas do jornal impresso e responder ao vazio de alternativas realmente sustentáveis ao actual modelo de negócio. O The Guardian seguiu o exemplo (e está aberto o caminho para que mais publicações experimentem esta solução).

À semelhança do que acontece na “Times Developer Network”, a página da “The guardian Open Plattform” permite aos programadores fazer o pedido de uma API key, gerir as aplicações criadas, acompanhar as actualizações para cada linguagem de programação.

São boas notícias, principalmente para quem desenvolve e está sempre ávido de criar novos usos e reciclagens da informação veiculada na web. Mas não é a solução para o problema de financiamento, nem chega a ser um balão de oxigénio para a crise de caractér global que ameaça o jornalismo. É antes um passo óbvio e previsível, nesta era dos Widgets e do Yahoo Pipes, em que esperamos que o conteúdo assuma a forma que escolhemos, e (como alertou o Afonso) nos distanciamos cada vez mais do livro de estilo e dos editores. Queremos ser nós os editores, queremos que tudo seja personalizável. Se quanto à forma não parece haver falta de alternativas (embora exista a ameaça de extinção da forma impressa), quanto ao conteúdo – e só o uso da palavra conteúdo, para designar peças jornalísticas, tem que se lhe diga –  é que nos devemos preocupar seriamente.

Colunista menoriza conclusões de “gurus” da internet sobre jornalismo tradicional

Posted in Notícias by Afonso Duarte Pimenta on 24 de Março de 2009
Mark Morford, foto retirada da galeria de Steve Rhodes

Mark Morford, foto retirada da galeria de Steve Rhodes

Mark Morford, colunista, analisa em “Die, Newspaper, die?”, publicado a 20 de Março no San Francisco Chronicle, a perspectiva e as soluções propostas por Clay Shirky, consultor para os efeitos sócio- económicos das tecnologias de informação, Steven P. Johnson, um dos pioneiros do formato webzine e por Dave Winer, programador, para a actual crise publicitária e jornalistica da imprensa internacional. Para chegar a uma conclusão: a inexistência de alternativas crediveis numa perspectiva profissional. Antes um descentramento baseado em algum alheamento e fascínio ao olhar para o suporte; demagogia na importância atribuída ao jornalista doméstico: na procura e concepção. Simplificando: o estilhaçar de um livro de estilo. No contexto norte- americano, ideologia de oposição às corporações que sustentam a comunicação social: hipérbole; reflexo de um eterno receio de ingerência na vida privada. Paranóia política. Que ilude a importância da informação.

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Revista Nature reflecte sobre o declínio do jornalismo cientifico

Posted in Notícias by Afonso Duarte Pimenta on 19 de Março de 2009

As repercussões actuais relativas ao jornalismo escrito não se esgotam na imprensa generalista. O campo científico , segundo o artigo “Science journalism: Supplanting the old media?” , da autoria de George Brumfiel e publicado no passado dia 18 de Março no site da revista “Nature”, também está a ser afectado. A ter em conta, de forma adicional, o artigo de opinião “Filling the Void” .

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