O Papel das Notícias

Suplemento de Outono

Posted in Apontamento by Afonso Duarte Pimenta on 12 de Setembro de 2009

 

Cheira-nos a outono e é isto. Recomeçamos a dar aquilo que existe de mais maduro em nós. Permitam-me iniciar já com um desplante. Se o virtual não glorifica a densidade correremos em sentido contrário. Se recusamos uma certa tuiterização não é porque a renegamos. Precisávamos, para isso, ter-lhe dado verdadeira existência. Acusam-nos de não vermos o futuro”. Evitamos desfocar os olhos. Temo-los bem fixos no presente.
 
Para os que não têm ouvidos há que o clarificar: não somos, nunca fomos, contra a internet. Há que transpor o radicalismo da metáfora. Por isso uso, tantas vezes, o itálico. Há uma distância que separa o MFJEP da realidade. Não pretendemos impor nem inverter o mundo. Iremos, brevemente, dar passadas mais largas e ultrapassar o formato escrito. Mas este é um projecto, acima de tudo, de interpretação. Existe uma base comum em torno de um ideal. Mas não existem argumentos aproximados, para a sua defesa, em nenhum dos intervenientes. Deixemos, pois, a moralidade para o leitor.
 
Lemos jornalismo digital. Mas não acreditamos na gratuitidade sem um modelo, a par,  financiado e baseado na noção de responsabilidade pessoal. Que o suporte. Não pretendemos convencer mais que dois ou três. Eis, para nós, um triunfo. Somos, se calhar, uns elitistas. E, exactamente por isso, queremos continuar a provar, dentro de momentos, a nossa inutilidade.
 
Afonso Pimenta

Jornalismo: Urgência e irresponsabilidade

Posted in Apontamento by Afonso Duarte Pimenta on 2 de Maio de 2009
AP Photo/Alexandre Meneghini

AP Photo/Alexandre Meneghini

Toda esta urgência e impulso colectivo para a postagem e publicação, como se o propósito fosse a forma e a chamada de atenção, aprofunda, um pouco mais, a distância que separa estrelato de jornalismo de investigação. Com dois passos atrás e melhor respiração, há que: pensar primeiro. Noticiar depois. Para controlar o medo. Informar melhor.

E urgente, nesse sentido, é o artigo de Carlos Castilho, em Código Aberto, sobre jornalismo, responsabilidade e o folhetim actual: a gripe H1N1.

Washington Times – uma página por dia para o jornalismo de cidadão

Posted in Notícias by nuno miranda ribeiro on 15 de Abril de 2009

"Times Newspaper Puzzle

"Times Newspaper Puzzle" (imagem obtida aqui: http://is.gd/syGw)

Segundo a Wikipedia, Jornalismo Cidadão, ou Jornalismo Colaborativo, Jornalismo Open Source ou ainda Jornalismo Participativo é uma idéia de jornalismo na qual o conteúdo (texto + imagem + som + vídeo) é produzido por cidadãos sem formação jornalística, em colaboração com jornalistas profissionais. Esta prática se caracteriza pela maior liberdade na produção e veiculação de notícias, já que não exige formação específica em jornalismo para os indivíduos que a executam.

O Washington Times (WT) decidiu dedicar uma página por dia, na versão impressa, ao jornalismo produzido por cidadãos. Às segundas, histórias sobre o mundo académico; às terças, o destaque é para os subúrbios de Maryland e Virginia; as quartas são dedicadas ao distrito de Columbia; as quintas focam as bases militares locais; às sextas é a vez das comunidades religiosas e aos domingos as obras de caridade e o serviço público. (a notícia não refere o sábado).

É já na próxima segunda-feira, dia 20, que é publicada a primeira página de jornalismo colaborativo, no contexto desta iniciativa. Citado no artigo acima linkado, Jonh Solomon, editor executivo do WT, afirma: “sabemos que existem muitos assuntos e comunidades que não temos sido capazes de cobrir totalmente dentro dos limites do orçamento de uma redacção, e estamos entusiasmados por capacitar cidadãos dessas comunidades para nos fornecerem notícias que interessarão aos nossos leitores.” Ainda segundo Solomon, “ao mesmo tempo que expandimos o nosso alcance através deste projecto, não estamos a diminuir a nossa qualidade editorial. As histórias dos cidadãos têm de obedecer aos mesmos padrões rigorosos de precisão, razoabilidade, equilíbrio e ética (accuracy, precision, fairness, balance and ethics, no original) que as que são escritas pelo pessoal que trabalha na redacção.” Pode ler-se na notícia do WT que cada cidadão jornalista receberá um conjunto de regras para a escrita jornalística bem como cópias do regulamento oficial do jornal nas questões relacionadas com ética, fontes anónimas e outros padrões jornalísticos.

É interessante verificar que esta opção editorial traz para a versão impressa do jornal o que seria muito mais fácil, simples e menos arriscado de fazer na versão online. Uma página de jornal tem um estatuto especial. Abrir  espaço no site a artigos dos leitores é uma coisa. Dedicar uma página impressa a textos produzidos pelos cidadãos é outra coisa. Um sinal a que não podemos ficar indiferentes. O que chama a atenção não é tanto, ou não é apenas, a decisão de chamar os cidadãos a produzir histórias de qualidade e estilo jornalísticos. Há bastantes experiências, talvez mais informais, menos rigorosas e com visibilidade mais limitada, a decorrer nas versões online. O que realmente é marcante é a opção de trazer para a versão impressa esta experiência.

Crise, jornalismo e ambiente: uma ironia

Posted in Apontamento by Afonso Duarte Pimenta on 6 de Abril de 2009

Robert Cox, sociólogo, é um optimista. Com preocupações.  O ex- presidente do Sierra Club – a maior organização ambientalista norte-americana – esteve recentemente  em Portugal como convidado da Fundação Calouste Gulbenkian,  da Agência Europeia do Ambiente e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. Onde participou na conferência “Os media e o ambiente: entre a complexidade e a urgência“. Segundo a edição do passado dia três de abril do jornal Público , uma das questões centrais em Cox é a falta de interesse relativamente a temas de cariz ambiental, por parte das populações, em época de crise. Financeira ou militar. Problema que se adensa em tempo de reestruturação – para avolumar os eufemismos; termo nosso –   jornalística.

Lança-se uma ironia: ao ler-se o artigo, não deixa de ser digno de atenção o facto de o ambiente – tão ligado a uma economia de longo prazo – ser esquecido em época de balanço. Mas de primeira linha – até há pouco tempo, também empresarial – quando nos entretemos a destruí-lo: mais afincadamente.

Colunista menoriza conclusões de “gurus” da internet sobre jornalismo tradicional

Posted in Notícias by Afonso Duarte Pimenta on 24 de Março de 2009
Mark Morford, foto retirada da galeria de Steve Rhodes

Mark Morford, foto retirada da galeria de Steve Rhodes

Mark Morford, colunista, analisa em “Die, Newspaper, die?”, publicado a 20 de Março no San Francisco Chronicle, a perspectiva e as soluções propostas por Clay Shirky, consultor para os efeitos sócio- económicos das tecnologias de informação, Steven P. Johnson, um dos pioneiros do formato webzine e por Dave Winer, programador, para a actual crise publicitária e jornalistica da imprensa internacional. Para chegar a uma conclusão: a inexistência de alternativas crediveis numa perspectiva profissional. Antes um descentramento baseado em algum alheamento e fascínio ao olhar para o suporte; demagogia na importância atribuída ao jornalista doméstico: na procura e concepção. Simplificando: o estilhaçar de um livro de estilo. No contexto norte- americano, ideologia de oposição às corporações que sustentam a comunicação social: hipérbole; reflexo de um eterno receio de ingerência na vida privada. Paranóia política. Que ilude a importância da informação.

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